Nova norma acústica finlandesa abre caminhos

A Finlândia abre caminhos para todo o mundo criando diretrizes claras e baseadas em dados científicos, revisando sua norma de ambientes acústicos em edifícios. Desenvolvida pelos principais consultores acústicos do país, a norma vem se estabelecendo na indústria e nas políticas públicas.

Em 2017, o Ministro do Meio Ambiente da Finlândia emitiu um decreto sobre o Ambiente Acústico de Edifícios. Diversas partes existentes da norma acústica de 2004 já estavam desatualizadas. Um trabalho intenso envolvendo os principais designers, consultores e cientistas acústicos foi inciado em 2021. Quase dois anos depois, em dezembro de 2022, foi publicada a segunda edição da norma finlandesa SFS 5907, Design Acústico e Classes de Qualidade de Edifícios.

“Este é um enorme avanço. A nova norma abrange basicamente todos os edifícios, exceto teatros, salas de shows e cinemas. Apresenta mais pormenores e inclui mais tipos de edifícios e salas,” DSc Mikko Kylliäinen, presidente do comitê de revisões e diretor do departamento de engenharia acústica no AINS Group.

Uma norma baseada em dados científicos

Uma mudança perceptível foi que o número de classes acústicas diminuiu de quatro para três. Com a classificação A1-A3, onde A3 se aplica aos edifícios existentes, a norma finlandesa agora possui apenas duas classes para edifícios novos. Isto faz com que a norma seja mais distinta e mais bem adaptada a realidade. Também considera quais são as atividades selecionadas para cada local diferente, como Design Baseado em Atividades e salas de aula abertas nas escolas.

Mikko Kylliäinen, AINS Group

Mikko Kylliäinen, presidente do comitê de revisão e diretor do departamento de engenharia acústica no AINS Group.

“Mas a grande diferença é que a norma revisada se baseia em dados científicos, enquanto a antiga se baseava mais na experiência,” Mikko Kylliäinen afirma.

Com 41 referências à trabalhos científios, pareceu óbvio ao comitê que a nova norma possui uma sólida base científica. Um exemplo são as exigências de isolamento sonoro para escritórios.

“Costumava ser 35 dB, um número que não era baseado em nada, era apenas um nível que parecia ser adequado. Agora, o alteramos para 40 dB, com base em pesquisas e medidas científicas. Outro exemplo são as diretrizes para salas de aula abertas, que é baseada em pesquisas que antes não existiam”, Mikko Kylliäinen disse.

Uma ampla variedade de valores de referência

A nova norma finlandesa usa valores de referência de seis definições, ou áreas, que afetam o ambiente acústico. São extensivos e incluem os maiores causadores de perturbação, desde ruídos de piso até vibrações geradas pelo transporte ferroviário:

  1. Nível sonoro:
    a) causado pelo aquecimento, canalização, ar-condicionado e aparelhos elétricos em um edifício.
    b) causado por ruídos fora do edifício.
  2. Acústica do ambiente:
    a) Tempo de Reverberação.
    b) Índice de Transmissão da Fala, STI.
  3. Isolamento de ruídos aéreos.
  4. Isolamento de ruídos de impacto.
  5. Ruído no piso causado pelo transporte ferroviário.
  6. Vibrações causadas pelo transporte ferroviário.

Destas, os ruídos no piso e vibrações geradas por transportes ferroviários são novos componentes da norma.

“São um importante acréscimo, pois podem afetar pessoas em edifícios, escolas, hospitais e escritórios construídos perto de ferrovias,” Mikko Kylliäinen explica.

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Este será o documento mais eficaz a guiar e controlar a construção acústica na Finlândia.

Mikko Kylliäinen

Uma norma útil e padronizada

Em geral, Mikko Kylliäinen ficou muito satisfeito com a revisão.

“Este será o documento mais efetivo para regulamentar e guiar a construção acústica na Finlândia. Há 20 anos atrás, os investidores não prestaram atenção a estes problemas, mas agora a situação mudou. A primeira edição mudou isso, tendo um grande e importante impacto.”

Pauli Pallaskorpi, Desenvolvedor de Conceitos na Ecophon Finlândia, diz que a norma revisada é uma ferramenta importante para ensinar aos investidores sobre a importância de um bom ambiente acústico.

Pauli Pallaskorpi, Ecophon Finlândia

Pauli Pallaskorpi, Desenvolvedor de Conceitos na Ecophon Finlândia.

“Eu sempre usei da norma como um bom argumento e diretriz para criar um ambiente acústico excelente. É muito útil, visto que foi desenvolvida pelos melhores consultores acústicos na Finlândia, comn base nas mais recentes descobertas científicas.”

Quase ninguém conseguia atender as classes mais altas da antiga norma. O objetivo é que a nova classe mais alta, a A1, seja obrigatória.

“Eu diria que é razoavelmente fácil atender à classe A1. Ao alcançar classe A1, é garantido um bom ambiente acústico,” Pauli Pallaskorpi disse.